Mulheres e jovens rurais debatem suas demandas para a VI Conferência Mundial
Os grupo de trabalho de jovens e mulheres rurais de diversas organizações se reuniram hoje, dia 26, na primeira atividade na VI Conferência Mundial voltada para o debate das propostas desses coletivos para o Plano de Ação para a Década da Agricultura Familiar.
Durante toda a manhã as/os participantes estiveram debatendo, em atividades distintas, sobre as pautas que precisam ser valorizadas e trabalhadas nos próximos anos no âmbito das pastas de Juventude rural e Mulheres trabalhadoras rurais.
Mulheres Rurais articuladas
As representantes da pauta das mulheres rurais das organizações presentes na VI Conferência tiveram como direcionamento para a reunião o Pilar 2 Transversal da Década da Agricultura Familiar, que fomenta a equidade de gênero nos espaços políticos e sociais e a liderança das mulheres rurais.
Este pilar traz vários pontos, que foram discutidos um a um pelas mulheres presentes. Entre eles:
– Acesso das mulheres aos recursos rurais ativos, como créditos e terra;
– Acesso a capacitação técnica e conhecimento das tecnologias rurais e de infraestrutura;
– Participação ativa das mulheres agricultoras na economia rural, com estímulos ao empreendedorismo e valor agregado aos produtos produzidos por elas;
– Democratização das jornadas de trabalho das mulheres, que por vezes chegam a ser triplas, com o trabalho na produção, o doméstico e cuidado familiar;
– Proteção social das mulheres diante dos casos de violência;
Entre outros pontos que fazem parte da agenda de luta das mulheres rurais não só na COPROFAM, mas também dos movimentos de outros países.
A COPROFAM foi representada neste debate por sua secretária de Políticas para Mulheres, Florinda Silva, da ONAC, sua suplente, Mazé Moraes, da CONTAG e Elga Ângulo, da Comissão de Povos Indígenas e Originais e dirigente da CCP. Florinda apontou o trabalho realizado neste momento da Conferência como “muito produtivo e frutífero”, e comemora a participação ativa da Confederação com propostas advindas dos debates feitos na América do Sul.
“Nós construímos um documento com contribuições para construir o Plano de Ação para a Década da Agricultura Familiar, e vários dos pontos que propomos estão inclusos nesta agenda. Esperamos que por meio desse instrumento possamos de fato melhorar a situação atual das mulheres, desde o olhar regional da COPROFAM até um nível global”, comenta Florinda.
Mazé, por sua vez, valoriza a ocasião de reunir tantas organizações com interesses em comum de melhorar ao máximo a qualidade de vida de mulheres rurais em todo o mundo. “É muito importante estarmos neste espaço, que é uma oportunidade de contribuir com o debate da Década Internacional da Agricultura e também olhar para a Agenda 2030 visando avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ao mesmo tempo, olharmos de forma profunda as desigualdades de gênero que afetam a vida das mulheres agricultoras familiares nos seus territórios rurais e conversarmos sobre as pautas das mulheres rurais do Brasil e de todo o mundo”, opinou Mazé.
O momento também foi proveitoso para divulgar a próxima edição da Marcha das Margaridas, grande mobilização das agricultoras familiares do Brasil, que ocorrerá em agoste deste ano, e convidar as dirigentes que participam da Conferência a integrarem a Marcha.
Jovens rurais de todo mundo unidos
O protagonismo da juventude rural e as demais lutas relacionadas também estiveram em pauta na reunião das representações dos jovens das organizações. As propostas da COPROFAM foram levadas por Monica Bufon, secretária de Juventude Rural da CONTAG, e Melina Rodriguez, secretária de Juventude Rural da CNFR, ambas convidadas pela COPROFAM para apresentar as propostas dos movimentos de países do Mercosul.
As demandas dos jovens rurais estão relacionadas principalmente com mais oportunidades no campo, com mais acesso a educação, capacitação, cultura, tecnologia e lazer, de forma a se refletir em boas condições de trabalho e de vida social.
A avaliação do encontro foi muito positiva, segunda Monica Bufon. “Foi muito bom poder trazer nossa necessidade enquanto juventude de estarmos inseridos nesse espaço de articulação política mundial pela agricultura familiar. As organizações de todos os continentes precisam dar mais visibilidade para a juventude, valorizando-a no presente para que possamos construir um futuro melhor e com mais qualidade de vida e trabalho para os jovens no campo”, ressaltou.
A COPROFAM leva para a VI Conferência Mundial três documentos de propostas, entre elas as propostas específicas colocadas pelas mulheres trabalhadoras rurais e pela juventude rural.





