As vozes de milhares em Bilbao

A responsabilidade e compromisso que assumiram cada uma das organizações agrárias na VI Conferência Mundial da Agricultura Familiar é, ao menos, motivante. Estamos frente a uma oportunidade muito valiosa de fazer chegar as necessidades e propostas do nosso setor, a agricultura familiar, campesina e indígena (AFCI), aos tomadores de decisões para implementar políticas públicas diferenciadas.

Neste encontro foi possível analisar as experiências de todas as regiões do mundo, recolher lições positivas e planejar estratégias de atuação adaptadas especificamente a cada contexto.

Neste sentido, a COPROFAM elaborou documentos referentes à situação particular das mulheres, jovens rurais e da AFCI em geral no Mercosul Ampliado, contribuindo no debate com o seu olhar crítico sobre os avanços e pendências em matéria de políticas públicas para um desenvolvimento rural inclusivo e sustentável. Um olhar que pode ser considerado como referência para organizações e governos de outros continentes para a natureza gestacional, no marco de um diálogo institucionalizado na Reunião Especializada da Agricultura Familiar (REAF), que durante 15 anos permitiu acordos que incidiram em transformações institucionais, desenho e implementação de instrumentos e atribuições de pressupostos crescentes. Mudanças que tiveram como resultado melhoras nos níveis de renda da população rural, redução da fome e da pobreza, e que indicam que investir na AFCI é uma boa atribuição dos recursos públicos em benefício da sociedade em seu conjunto.

A AFCI produz 60% dos alimentos que se consume na região, contribuem por uma parte da preservação dos cultivos tradicionais (mantendo a biodiversidade), e por outro lado produzir vários itens com tecnologias menos invasivas na aplicação de insumos que utiliza a agricultura de grande escala (aproveitamento sustentável dos recursos naturais).

Para continuar avançando nesta direção, em conexão com a nova agenda internacional pautadas pelas ODS 2030, a Década da AF e consagrada pelas Nações Unidas, é indispensável assegurar políticas públicas relacionadas a:

  • Disponibilidade de educação e saúde no meio rural;
  • Desenvolvimento de tecnologias apropriadas para a AFCI;
  • Acesso a recursos naturais e financeiros;
  • Implementação de inversões e conexões de transporte e comunicações;
  • Acesso equitativo das mulheres e dos jovens aos instrumentos de política que apoiam as atividades econômicas.
  • Participação na tomada de decisões e seguimento de seus resultados.

A próxima década deverá contemplar os pontos anunciados e conquistar articulá-los em cada localidade, região e continente do mundo.

VER DOCUMENTOS:

  • Proposta Rural da Juventude da COPROFAM para a VI Conferência sobre Agricultura Familiar.
  • Olhar das Mulheres Agricultoras Familiares das Organizações Afiliadas à COPROFAM.
  • Propostas da COPROFAM e PDRR para a VI Conferência sobre Agricultura Familiar.