Proposta Juventude Rural da COPROFAM para a VI Conferência Mundial da Agricultura Familiar
Nós, jovens da Agricultura Familiar, Campesina e Indígena (AFCI) do MERCOSUL Ampliado, analisamos o contexto atual da juventude rural em nossa região, compartilhamos nossas experiências no campo, identificamos os principais desafios que enfrentamos, e elaboramos um conjunto de propostas destinadas a melhorar nossas condições de vida e trabalho.
Nesse sentido, tomamos a Década da Agricultura Familiar (2019-2028) como uma oportunidade para desenvolver uma agenda de políticas públicas específicas para a juventude rural da AFCI entendendo que seu fortalecimento é fundamental para a sucessão rural e o fortalecimento da agricultura familiar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Proposta da Juventude Rural da COPROFAM para a VI Conferencia
Considerando a vocação, a visão empreendedora e a capacidade produtiva dos/das jovens para o fortalecimento da agricultura familiar e a sucessão rural, apresentamos e demandamos aos nossos governos um conjunto de políticas específicas que atendam e nos estimulem a permanecer no campo de maneira autônoma para desenvolver nossa vocação para a produção, agregação de valor e comercialização, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e cultural, preservando os saberes tradicionais da produção de alimentos saudáveis, valorizando a agroecologia e a produção orgânica, entre os quais destacamos:
- A Reforma Agrária e Regularização de Terra (ancestrais, individuais e coletivas) e a alocação de orçamento que nos permita (juventude rural) acessar recursos naturais (terra, água e território) como princípio fundamental para se estabelecer no campo, trabalhar e desenvolver nosso modelo de produção sustentável, melhorando nossa qualidade de vida.
- Orçamento e Financiamento – garantir orçamentos rurais para jovens para acesso a múltiplos mecanismos de financiamento:
- Custos de crédito (insumos para produção).
2. Investimento produtivo e valor adicionado (aquisição de máquinas e equipamentos para produção e agroindustrialização).
3. Marketing (selo da agricultura familiar para comercialização em feiras, mercados locais e compras públicas) trazendo produtores rurais jovens ao consumidor final, para que eles reconheçam o papel da juventude rural na produção de alimentos saudáveis a preços justos. . - Educação, Ciência e Tecnologia – assegurar o acesso à inovação tecnológica adequada, conhecimento científico e educação formal inclusiva da juventude rural para repensar a abordagem produtiva e comercial, olhando para a melhoria de renda na unidade familiar.
- Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) – garantir e priorizar os serviços de assistência técnica e extensão rural para a juventude com a visão integradora, olhando para a potencialidade e a visão empreendedora da juventude para o desenvolvimento produtivo e comercial sustentável e rentável.
- Cooperativismo e Associativismo – estimular a participação da juventude rural no cooperativismo e associativismo da agricultura familiar, como sujeitos com capacidade gerencial e empresarial nos mercados de compra e venda, assegurando aos(às) associados(as) maior renda.
- Saúde – assegurar orçamentos necessários para os sistemas de saúde, garantindo a atenção adequada à saúde dos(as) jovens agricultores e implementando ações coordenadas com os setores da educação que favorecem a formação de equipes multiprofissionais para a atenção médica e psicossocial no meio rural.
- Educação do Campo – assegurar aos jovens o acesso à educação básica formal e alocar os orçamentos necessários para manter e expandir as escolas rurais e sua infraestrutura básica para a educação, contemplando nas bases curriculares e matrizes pedagógicas a inclusão da realidade da juventude da agricultura familiar.
- Formação e capacitação – alocar orçamentos para a formação básica continuada e para a capacitação dos(as) jovens nos processos de (re) organização produtiva e comercial dentro de cadeias de valor inclusivas, buscando melhorar as condições de trabalho e renda para a unidade familiar.
- Comunicação e informação – assegurar aos jovens acesso aos meios de comunicação e de informação enquanto instrumentos indispensáveis para ampliar o diálogo com a sociedade e seu conjunto sobre a importância do papel da juventude rural para a soberania alimentar e o desenvolvimento sociocultural do território. Se propõe desenvolver campanhas de sensibilização nas redes sociais e outros meios de comunicação.
- Esporte e cultura – assegurar aos jovens a promoção e valorização da prática de esportes e a valorização da cultura e saberes no meio rural.
- Mulheres jovens – valorizar e promover a equidade de gênero, destacando o papel das mulheres jovens trabalhadoras rurais, promovendo sua autonomeia social e econômica, sua inclusão nos sistemas de saúde integral e reprodutiva, e garantir medidas de combate à violência contra a mulher e a exploração de meninas e jovens mulheres no meio rural.
- Espaços de Diálogo Político – participação e real incidência dos territórios da juventude rural nos espaços nacionais e internacionais de diálogo e formulação de políticas públicas diferenciadas para a AFCI, particularmente nos comitês locais, nacionais e internacionais da agricultura familiar, a exemplo da REAF e o CAS do MERCOSUL.
PARTICIPAÇÃO DA JUVENTUDE NAS INSTÂNCIAS DECISIVAS OU DELIBERATIVAS DE NOSSAS ORGANIZAÇÕES
As Diretorias de nossas Organizações da AFCI devem estimular e ter em conta a participação ativa dos/das Jovens em todas as instâncias de diálogo e tomada de decisão, contribuindo e fortalecendo a democracia interna de maneira que os temas da juventude possam estar presentes na agenda das nossas organizações.

