XXXVII REAF foca na Década da Agricultura Familiar e sua implementação na região do Mercosul Ampliado
Há vinte anos a REAF nascia a carta de Montevidéu. Dezoito anos depois e no marco da II Conferência sobre Agricultura Familiar do Mercosul Ampliado, pretende-se relançar a REAF e afirmá-la como plataforma de diálogo político.
O espírito da Reunião Especializada entre organizações, agências multilaterais e governos, que em sua 37ª edição foi realizada entre os dias 5 e 6 de dezembro em Santiago do Chile, se concentra na implementação das transformações que o campo precisa. Não focar apenas em diagnósticos, mas aproveitar o talento e a capacidade das organizações para que os governos entendam que a hora de agir é agora!
Um dos objetivos ao final da programação temática e política é ter uma declaração, a “Carta de Santiago” que afirme que é hora de implementar, de acelerar. O momento é urgente, porque há prioridades e os governos estão dispostos a conversar.
Na primeira parte do dia, que começou na segunda-feira, dia 5, trabalhamos em 3 oficinas específicas que fomentaram o
intercambio com foco em questões de implementação guiadas por 3 perguntas. Um desses espaços foi moderado pelo COPROFAM, por meio de seu assessor técnico Luiz Vicente Facco.
As questões apresentadas e debatidas em busca de respostas foram:
- Quais são os passos que o governo e as organizações familiares devem tomar para implementar a Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas?
2. Como fortalecer as ações nacionais e fortalecer o espaço da REAF?
3. Temas que a REAF deve trabalhar?
Para cada uma, surgiu uma lista de respostas que precisam ser colocadas em prática pelos governos quando pensam em políticas públicas, pelas organizações quando as negociam e pelas agências quando as apoiam.
Fizemos um pequeno resumo dessas respostas em tópicos curtos, que podem ser encontrados no final desta nota.

Na parte da tarde foi realizado o Seminário de Implementação da Década, no qual o Presidente do COPROFAM, Alberto Broch, expôs seus pontos de vista, convidando os presentes e seus setores a trabalharem em harmonia: “Vamos fazer juntos, analisando as realidades que temos em cada país e estamos vamos adotar a resolução da Década como uma oportunidade de olhar para dentro e, em conjunto, dar mais força às políticas que temos”, incentivou o dirigente.

Neste bloco, Laura Lorenzo, do Fórum Rural Mundial (WRF), também ofereceu sua análise, que falou de uma perspectiva global sobre a situação atual, as principais oportunidades e desafios da Década e Luis Beduschi, do escritório regional da FAO, que apresentou dados sobre a situação atual da FA em cada um dos sete pilares da Década.
O evento também contou com a análise de Álvaro Ramos, pesquisador acadêmico que contribui com suas contribuições técnicas para a REAF, que na ocasião desenvolveu aspectos fundamentais de cada pilar da Década e falou sobre trabalhar na perspectiva da multidimensionalidade da AF, tanto no econômico, quanto no social, no produtivo e no cultural. “A Agricultura Familiar é um sistema de produção, mas sobretudo um sistema de vida, que tem implicações no desenvolvimento sistêmico e global dos territórios e deve ser reconhecido nas políticas públicas”, afirmou o especialista.
No encerramento da edição, finalizada nesta terça-feira, a COPROFAM voltou a usar a palavra, e o presidente Alberto
Broch falou sobre o grande caminho que a REAF vem percorrendo e que não pode ser ignorado, mas também enfatizou tudo o que falta para alcançar as metas propostas na Década da Agricultura Familiar.
Veja um resumo dos resultados das oficinas:
Quais são os passos que o governo e as organizações familiares devem tomar para implementar a Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas?
- Estabeleça metas curtas e trabalhe os aspectos fundamentais a priorizar;
- Ter um marco regulatório para a Agricultura Familiar, contando também com cadastros nacionais;
- Ter um quadro institucional nacional e descentralizado que funcione também em função das necessidades do FF, com o programa e recursos necessários à sua implementação;
- Gerar recomendações para os países prepararem seus planos nacionais;
- Criar e fortalecer espaços reais de diálogo com o governo e organizações;
- Definir um roteiro que tenha o compromisso entre governo e organizações sociais;
- Gerar capacitação para que as organizações fiquem “embebidas” no tema da Década e possam gerar propostas;
Reconhecer a diversidade de culturas;
- Considere a declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos camponeses de 2018.;
- Fortalecer os registros de cada país e ter dados e informações confiáveis para tornar visível a realidade e as
- contribuições do FF;
- Construir políticas públicas diferenciadas e que estas sejam construídas junto com as organizações;
- Assistência técnica e gestão com novas visões e tendo em conta os atuais sistemas de produção;
- Revise as apólices já existentes e solicite-as;
- Enriquecer a REAF como espaço de articulação entre organizações;
- Implementar novas capacidades em tecnologia e digitalização;
- Identidade cultural dos territórios rurais;
- Evidências e propostas para os países incorporarem novas medidas;
- Gerar um plano de comunicação e advocacy, ele também se posiciona na agenda pública, tem que ser participativo, tem que ser inclusivo;
- Poder participar de áreas como a COP 27;
- As organizações devem participar efetiva e substancialmente na elaboração e implementação, na prestação de contas e na transparência dos planos nacionais;
- Valor PA para as novas gerações.
- Como fortalecer as ações nacionais e fortalecer o espaço da REAF?
- Sair dos escritórios e ir para os territórios;
- Gerar diálogo com outros ministérios, não só com a agricultura;
- Alcançar um espaço institucional de trabalho conjunto que esteja permanentemente operacional;
- Fortalecer o financiamento para a implementação de políticas públicas;
- Fortalecimento de capacidades para poder gerar e influenciar políticas públicas;
- Fortalecimento do papel da REAF mesmo nas mudanças de governo;
- Fortalecimento dos pontos focais;
- Gerar capacidades econômicas para gerar uma equipe de profissionais que prestam acompanhamento.
- Temas que a REAF deve trabalhar?
- Água e território;
- Reforma agrária;
- Função social e ecológica da terra;
- Soberania alimentar;
- Adaptação às alterações climáticas;
- Reconhecimento da mulher rural;
- Rever a educação voltada para meninos e meninas e prepará-los para novos desafios;
- Infraestrutura para desenvolvimento, saúde, educação, sistema assistencial, outros;
- Orçamento específico para cada uma das políticas promovidas.


