O FIDA e seus governos podem contar com organizações de agricultura familiar para trazer mais desenvolvimento às famílias de agricultores

Nas últimas semanas, a COPROFAM teve uma jornada de trabalho muito intensa e politicamente importante em Roma. Organizados em uma delegação representativa dos sete países da nossa rede, com a participação de jovens e mulheres rurais, participamos do 7º Fórum Mundial de Agricultores (FMC), uma conferência promovida pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência da Nações Unidas, em sua sede entre 4 e 11 de fevereiro. Paralelamente a essa agenda, também pudemos conversar com outras agências de cooperação durante esses dias e apresentá-las com alguns de nossos projetos, buscando apoio técnico e financeiro para realizá-los.

Este fórum nos deu a oportunidade de, juntamente com mais de 90 representações de organizações de agricultura familiar (OAFs) de todo o mundo,  apresentar ao FIDA e, posteriormente, ao Conselho de Governadores do FIDA, propostas sobre como eles podem direcionar seus recursos para projetos. e programas que melhor atendam às demandas da agricultora familiar, camponesa, indígena e pesca artesanal em seus territórios.

A COPROFAM, juntamente com outros OAFs da América Latina e do Caribe, trouxe ao FMC as propostas aprovadas na última Conferência Regional do FIDA, realizada em maio do ano passado. Essas propostas tinham uma mensagem muito clara para o FIDA sobre o desejo dessas entidades de manter um relacionamento mais aberto e democrático com o FIDA, com uma abordagem mais próxima em todas as etapas dos projetos financiados com governos e com financiamento direto, para que As organizações contribuem mais com os resultados efetivos esperados para o trabalho focado na agricultura familiar.

Entre as propostas dos OAFs latinos estava também a formação de um Comitê Conjunto para a coordenação e facilitação de iniciativas do FIDA, que inclui referências do Fundo e representantes de organizações, com o objetivo de que o portfólio de investimentos dessas ações possa ser melhor monitorado e constantemente avaliado quanto à sua eficácia. Além disso, é mantido o apoio aos espaços da agência para o diálogo político com os OAFs, como conferências regionais e mundiais, que são muito importantes para todo o processo de consulta e participação das organizações.

Em relação a essas propostas que apresentamos, obtivemos algumas respostas ao longo do Fórum. O próprio FIDA também teve idéias para inovar em trabalhos relacionados a projetos de agricultura familiar, e no 7º FMC apresentou dois novos produtos que modificam as possibilidades de investir seus recursos. Uma é a abertura para conceder empréstimos diretos aos OAFs, e não apenas aos governos, como aconteceu nos últimos anos. O regulamento para esta ação ainda não está definido, mas o FIDA já indicou a formação de um comitê de governança com a participação do OAFS, onde eles podem colaborar com essas definições e outras avaliações sobre os tipos de projetos que fazem parte do carteira de financiamento de agências.

As discussões realizadas neste FMC também nos deram indicações de como as organizações latino-americanas e os escritórios regionais do FIDA podem se relacionar melhor e agir quando se trata de projetos para esta região. O Fórum teve momentos para avaliar as ações realizadas entre 2016 e 2019 e, em que continentes como África e Ásia mostraram avanços importantes para a agricultura familiar com base nas iniciativas de investimento do FIDA nos países locais. Isso requer maior proatividade nas ações aqui, tanto pelos OAFs quanto pelos coordenadores regionais do Fundo, em busca de resultados mais amplos dos benefícios para a base. Também foi descoberto que existem muitos problemas a serem superados em nossos países, mas existe a possibilidade de resolvê-los com base nas ações corretas.

Foram 8 dias de diálogo sobre as propostas das organizações e sobre outros temas considerados prioritários no contexto da agricultura familiar, como as mudanças climáticas, a maior participação de jovens e mulheres nos espaços políticos e produtivos e a Década da Agricultura Familiar. das Nações Nações. Todas essas discussões foram sistematizadas pelo Comitê Diretor do FMC e geraram um documento com as recomendações tiradas desta grande reunião, que foi apresentada à Assembléia de Governadores do FIDA que ocorreu após a conclusão do FMC. Nossa expectativa é que os pontos finais apresentados por nossa e outras organizações sejam aceitos e considerados no plano de trabalho do FIDA para os próximos anos, e também pelos governos que compõem o Fundo.

Estou satisfeito com o desempenho de nossa delegação ao longo do Fórum. Além de focar nas discussões com nossas contribuições, também tivemos uma participação ativa no Comitê Diretor do Fórum Mundial dos Agricultores. Além disso, o workshop autogerenciado que promovemos com o Fórum Rural Mundial no último dia do FMC, onde abordamos tópicos sobre a Década da Agricultura Familiar, teve exitosa participação e envolvimento  de outras redes de organizações e agências de cooperação.

Um último destaque que faço sobre esses dias de trabalho que vivemos em Roma foi o sucesso na agenda das reuniões bilaterais. A COPROFAM pôde se reunir com as principais agências de cooperação do mundo, FAO, FIDA, ILC e PROCASUR, e apresentar nosso projeto de cooperação e troca de experiências entre duas plataformas: COPROFAM e ROPPA, da África. O projeto foi bem recebido e as expectativas de participação dessas agências são muito positivas. Outro avanço importante para a COPROFAM foi o encontro que tivemos com a União Européia, o FIDA e a AGRICORD, que marcou mais um passo na consolidação do projeto de apoio às organizações da área de Cooperativismo e Associativismo que estão sendo negociadas com elas.