Perspectivas para produção de carne bovina são animadoras
José Manuel Mesa, membro do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Carnes (INAC) em representação do setor produtivo, após analisar os dados apresentados por este órgão em entrevista coletiva, avaliou que as perspectivas para o setor de carnes uruguaio são animadoras.
O delegado da Comissão Nacional de Desenvolvimento Rural do INAC disse que embora 2020 tenha sido o ano com menos tarefas nos últimos cinco anos, também se prevê que seja o menor nos próximos cinco anos. Obviamente os resultados do setor serão condicionados pela demanda dos mercados internacionais e pelas circunstâncias climáticas, porém espera-se um crescimento sustentado do rebanho bovino.
Mesa destacou o expressivo crescimento do consumo de carne de frango no mercado interno que compensou a queda na carne bovina. Quanto às perspectivas para os produtores de aves, suínos e ovinos, as perspectivas dependerão dos resultados do plano estratégico que o INAC pretende implementar, que, entre outras coisas, pretende aumentar substancialmente a produção de carne.
O Executivo do INAC referiu ainda o projecto Pecuária Familiar Resiliente, que está a ser executado pelo CNFR na zona basáltica rasa do norte e serra oriental do país, explicando que tem por objectivo implementar medidas de gestão que aumentem a produtividade e ao mesmo tempo, contribuir para a melhoria da sustentabilidade dos sistemas nacionais de produção familiar.
Números INAC
Com abate de gado da ordem de 2 milhões de cabeças, 2020 será um ano com menos atividade que 2019 (-10%) devido a uma redução significativa nos primeiros seis meses (-21,3%) mas com recuperação no segundo semestre ( + 3%).
Essa diminuição não foi homogênea. Em relação às categorias de abate, a maior queda foi observada em novilhos com 6 e 8 dentes (-22% e -27%) e vacas (-16%), enquanto os novilhos aumentaram e as novilhas diminuíram abaixo da média. Isso se explica, em parte, por um abate proveniente do DICOSES de corral, que em 2020 será o maior desde que se mantiveram registros superiores a 270 mil cabeças; cresce 2,3% (novilhos + 9% e novilhas -13%) em relação a 2019 e representa mais de 14% do total
Por outro lado, a redução da atividade entre as empresas industriais também não foi homogênea. Observou-se menor redução da atividade nas maiores empresas e registou-se atividade em apenas 30 estabelecimentos.
No caso dos ovinos, o abate de 13 estabelecimentos significará um crescimento em relação a 2019 de aproximadamente 20%, atingindo a média dos últimos 5 anos.
Receita com exportações do setor de carnes em média 5 anos
2020 fechará com receitas totais do setor, mais de 1,9 bilhões de dólares, como resultado de uma reestruturação das colocações nos mercados. Redução da receita da China (-31%) e aumento da Nafta (+ 40%) como os eventos mais relevantes. Por sua vez, o IMEx (receita média com exportação de carne bovina) fecharia com um valor muito próximo a 2019 (3.780 USD / ton pc).
As cotas tarifárias em 2020 verificaram diferentes comportamentos. Por um lado, houve um grande aproveitamento da cota dos Estados Unidos, praticamente concluída em 2 meses antes do final do período. Por outro lado, uma situação especial no Hilton: na primeira parte de 2020 não foi possível completar a cota 19/20, gerando um saldo não utilizado de 30%. Já o início do ciclo 20/21 mostra uma taxa de utilização superior a 2019, completando 50%, semelhante aos anos anteriores em que a cota foi cumprida.
Preços mais baixos no mercado interno mas leve redução no consumo
2020 mostra que o consumo total de proteína diminuirá. O volume vendido diminuiu -3,3% em relação a 2019 para todas as carnes. Essa contração se deve aos menores volumes de bovinos (-9,1%), suínos (-7,2%) e ovinos (-24,1%), enquanto a carne de aves é a única que cresce 14% da mão da recuperação da produção nacional e importações que passarão a representar 4,4%; fenômeno recente e muito marginal em anos anteriores.
Na carne bovina, as importações se consolidam e após 5 anos de crescimento ininterrupto passa a significar 1 em cada 4 quilos consumidos.
Após um crescimento inicial no primeiro trimestre, e do acordo de preços entre o setor privado e o Governo, observou-se queda e estabilidade dos preços públicos da carne bovina e de frango, o que contribuiu para a redução da inflação. No acumulado até novembro, a carne bovina registra queda de 2,89%, reflexo da redução de preços na maioria dos cortes, principalmente nos cortes de frente (tira torra -15,2% e saia -6,9%). A carne de aves apresentou queda de 0,34% no mesmo período enquanto o preço da carne suína aumentou em média 9,86%.


