30 anos de MERCOSUL – Mais que um bloco econômico, uma oportunidade de integração de culturas e experiências

Era 26 de março de 1991 quando os presidentes da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram o Tratado de Assunção, um documento que oficializava a constituição de um mercado comum entre os quatro países. Nascia o que o mundo conhece hoje como Mercado Comum do Sul – MERCOSUL, que visa o desenvolvimento da nossa região em muitos sentidos.

Mesmo que tivesse seus objetivos econômicos e comerciais bem destacados, ao se apoiar na lógica capitalista de mercado comum, o acordo que gerou o MERCOSUL também projetava unir os países para além dessas questões, propondo a cooperação deles em assuntos de saúde, educação, direitos humanos e outros. Abrindo assim um espaço para que essas nações latinas pudessem socializar e discutir sobre seus saberes, suas culturas e todo o potencial de desenvolvimento existente nesse compartilhamento de ideias e pautas comuns, em um grande espírito de comunidade.

A COPROFAM nasceu pouco depois da criação do MERCOSUL, em 1994, baseando-se nesse potencial de integração proposto pelo bloco para unir as principais organizações de Agricultura Familiar, Campesina e Indígena (AFCI) da região. O objetivo dessa articulação de movimentos era, e continua sendo, alavancar as demandas do setor no âmbito político internacional e buscar conquistas políticas, econômicas e sociais que contemplem a população agricultora, campesina e indígena de todos os países que se somam à Confederação.

Com esse objetivo nobre, a COPROFAM não se restringiu aos quatro países que assinaram o Tratado, e integrou mais três países – Bolívia, Peru e Chile – para participar desse espaço de fortalecimento das capacidades de articulação política de todas as suas organizações membros. Assim, com a força e representatividade das organizações desses 7 países, que vemos como um MERCOSUL Ampliado, a COPROFAM luta para ter participação nas decisões do bloco.

Uma das conquistas da Confederação nesse sentido foi a criação da Reunião Especializada em Agricultura Familiar (REAF), um fórum de diálogo político entre governos e organizações representativas de agricultores familiares, camponeses e indígenas (AFCI) para desenvolver recomendações para públicos diferenciados. políticas para os países do MERCOSUL. Desde a consolidação da REAF, em 2004, a COPROFAM tem participado firmemente de suas propostas e contribuições a cada edição, insistindo para que este importante espaço não seja esvaziado e que possa continuar gerando contribuições para a construção e implementação das políticas públicas necessárias. fortalecer a AFCI e promover o desenvolvimento sustentável com a produção de mais alimentos para a soberania e segurança alimentar dos povos do MERCOSUL Ampliado.

É fato que ele poderia ter avançado muito mais ao longo dessas três décadas. E especialmente nos últimos quatro anos sofreu muitos retrocessos, o que acende um alerta sobre os caminhos que o MERCOSUL vem tomando. Mas ainda assim celebramos o que foi conquistado nesses 30 anos e pedimos aos governos dos países membros que olhem com mais atenção para o bloco.

De nossa parte, reafirmamos nossa luta permanente por mais participação nos espaços do MERCOSUL, e para que tenhamos as pautas de desenvolvimento, da agricultura familiar e das políticas públicas em consideração não só em um país, mas em todos os que integram a nossa região.

 

Alberto Broch, presidente da COPROFAM