CNFR em defesa da política de terras para a produção familiar e o desenvolvimento sustentável
Nas últimas horas, a Comissão Nacional de Desenvolvimento Rural divulgou um comunicado à opinião pública no qual se manifesta sobre a proposta incluída no projeto de prestação de contas, para o qual são alocados recursos do Instituto Nacional de Colonização (INC) para a constituição de um fideicomisso destinada a atender à situação de assentamentos urbanos irregulares.
A declaração afirma que:
“Comissão Nacional de Desenvolvimento Rural propõe uma“ Política de Estado ”que ratifica e reconhece o papel do Instituto Nacional de Colonização (INC) e de políticas claras e sustentadas de acesso, uso e posse da terra, como base substancial para políticas públicas diferenciadas apoiar a Produção Familiar e o desenvolvimento sustentável.
Para a produção agrícola em geral e para a produção familiar em particular, responsável por 30% do VAB e com grande impacto no desenvolvimento local, no acesso e na posse da terra, a sua função social e mercantil é uma questão particularmente sensível, num contexto em que testemunharam um aumento acentuado da concentração e estrangeirização da terra e do desaparecimento de unidades produtivas.
Para o fortalecimento do INC, é imprescindível o planejamento e a projeção do Instituto no médio e longo prazo, para o qual é imprescindível ter certas certezas no seu financiamento, como o mecanismo de contribuição ao financiamento que será afetado se a mudança anunciada é aprovada no projeto de prestação de contas.
Não concordamos com a proposta incluída no projeto de prestação de contas apresentado pelo Poder Executivo, por meio do qual recursos do INC são alocados a um consórcio que visa a geração de políticas para setores vulneráveis em assentamentos irregulares.
Não deve haver uma dicotomia entre o apoio aos setores urbanos mais vulneráveis e o fortalecimento da ferramenta INC, ambos são necessários e complementares. Se tivéssemos políticas públicas a favor da Produção Familiar e uma ferramenta como o INC forte nos últimos 50 anos, com certeza o problema dos assentamentos hoje seria bem menor.
Apoiamos a criação de políticas voltadas para os setores mais vulneráveis, mas consideramos que existem outras fontes possíveis e maiores, que até mesmo alguns setores relacionados à habitação já estão considerando, tais como: destinação de 0,1% do Imposto sobre a Riqueza; revisar se as renúncias fiscais feitas pelo Estado para habitação de uso social, que já acumulam 1.400 milhões de dólares em 10 anos, têm alcançado o impacto esperado; revisar se outras fontes possíveis de financiamento não são detectadas dentro dos 3.300 milhões de dólares de isenção de capital ou outras fontes que não afetam outros setores com necessidades.
Reivindicamos a validade e necessidade de continuar a fortalecer o Instituto Nacional de Colonização, desde a manutenção da fonte de financiamento, da maior dotação de recursos e melhoria na gestão, com capacidade de planificação na chave da política de Estado e como instrumento fundamental para a promoção da Produção familiar e desenvolvimento rural sustentável.
Montevideo, 12 de julho de 2021
Comunicado CNFR en defensa de la política de tierras para la PF


