Lançado o Festival Latinoamericano de Juventudes Rurais com um grande intercâmbio sobre marcos institucionais para as juventudes
Começou neste dia 10 de agosto o Festival Latinoamericano de Juventudes Rurales, iniciativa que reúne jovens rurais da região, suas organizações de base e instituições públicas ou privadas de desenvolvimento rural que acreditam no papel estratégico dos jovens e sua importante contribuição para a construção de sistemas alimentares sustentáveis e que garantam a segurança e soberania alimentar em seus países.
O Festival acontece em um momento em que muitos países da região passam por impactos sociais e econômicos muito graves, e onde se coloca com ainda mais urgência a agenda de fomentar, incentivar e impulsionar os jovens rurais a desenvolverem suas potencialidades para ajudarem a reverter essa situação. Neste contexto do Festival haverá 8 atividades temáticas e virtuais até o mês de novembro, duas por mês.
“Com o espírito de facilitar a interação e intercambio de experiências das juventudes com outros parceiros, e dialogar com os diferentes atores que participam do processo de desenho de políticas publicas que vão impactar diretamente a realidade das zonas rurais, é que temos o agrado de convidar a todos e todas a participarem desse Festival construído diretamente pelas juventudes”, afirmou Pedro Boareto, ponto focal da FAO para a Juventude Rural, ao abrir os trabalhos do evento de lançamento. Para esta primeira atividade, preparou-se um seminário de intercâmbio de experiências sobre o tema “Marcos institucionais para as juventudes”.

Iniciativa multisetorial
A organização deste festival, que oportunizou que os/as jovens indicassem os temas mais importantes para eles e elas neste momento, envolve diferentes setores, como as agências internacionais multilaterais FAO e FIDA (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura e Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), a Reunião Especializada da Agricultura Familiar do Mercosul (REAF), o PROCASUR, a Cooperativa das Américas, o Foro Mundial da Alimentação. Estão envolvidos também os governos da Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Costa Rica.
A COPROFAM participou diretamente da construção do festival, a partir de sua Coordenação de Jovens, dirigida por Melina Rodriguez, dirigente da Comissão Nacional de Fomento Rural do Uruguai (CNFR). Outra rede de organizações parceira que integra o comitê de organização do Festival Latinoamericano de Juventudes Rurales é o Programa Diálogo Regional Rural (PDRR), da América Central.
Mensagem para a juventude
O Festival, que acontece todo virtualmente e prevê um ciclo de atividades até novembro, teve um importante seminário voltado para o intercâmbio de países sobre suas experiências no âmbito dos marcos institucionais em favor da juventude, com apresentação de casos do Uruguai e da Costa Rica.
Para dar as boas vindas e deixar uma mensagem especial aos jovens de toda a América Latina convidados(as) para este lançamento, foram convidados o representante da FAO para América Latina e Caribe, Julio Berdegué, a coordenadora da Divisão da ALC do FIDA, Rossana Polastri e a vice-presidente da Costa Rica, Epsy Campbell.

Berdegué trouxe alguns dados importantes sobre a desigualdade social que já assolava a juventude latina antes da pandemia, e abordou o pioramento da perspectiva após a Covid. Frente a isso, afirmou: “Temos uma obrigação com todos esses jovens de enfrentar essa calamidade. Não podemos esperar que as coisas se recuperem sozinhas, temos que fazer esforços enormes para gerar e emprego e colocar esses milhões de jovens homens e mulheres em um caminho onde tenham luz e esperança. Pois seria uma tragédia para nossa região que tenhamos uma geração inteira que saia da juventude para a vida adulta nesse túnel escuro. As consequências para a ALC seriam muito graves”, afirmou a autoridade da FAO. E concluindo sua mensagem, disse: “Temos que fazer um esforço sobrehumano, senão estaremos semeando ventos e colhendo tempestades enormes não muito longe de hoje”.
De parte do FIDA, Rossana Polastri fez uma análise de fatores que precisam de mais atenção dos

dos governos em relação a suas juventudes e indicou caminhos para conseguir melhorias. “Não há forma de conseguir mudanças se não for com políticas e entender a magnitude dos problemas, e frente a gravidade isso é necessário uma abordagem multisetorial e uma ampla colaboração institucional através de alianças de largo prazo, compromissos políticos e um respaldo orçamentário suficiente”, afirmou Polastri, que comentou sobre problema do intenso êxodo rural da juventude para os centros urbanos por conta da falta de oportunidades de trabalho de qualidade, limitação dos serviços básicos no campo e outros aspectos que afetam os jovens em seus territórios e precisam ser revertidos.

Representando os governos , a autoridade costariquenha Epsy Campbell reforçou a importância de ouvir o que os jovens latinos tem a dizer, suas propostas e opiniões, para construir os planos para o desenvolvimento a partir desta conjuntura atual tão desafiadora. “As condições adversas que enfrentamos são a oportunidade que temos para fazer um salto qualitativo, e isso só poderemos fazer com as populações jovens. O diálogo intergeracional e regional, com enfoque territorial e escutando as vozes das identidades diversas dos jovens rurais de distintos países, é fundamental para conseguir os objetivos de participação real das juventudes, construir democracia e dar voz às populações que dia a dia enfrentam dificuldades no mundo, e assim construir desenvolvimento em tempos tão complexos”
Experiências de Marcos institucionais para as juventudes
O tema escolhido para essa primeira atividade do Festival foi o dos marcos institucionais, e o presidente da Corporação Procasur, Juan Moreno, fez uma introdução destacando que a relevância da juventude rural começou a ser pensada nos últimos 10 anos, e que antes disso havia pouca institucionalidade, poucas políticas e menos ainda recursos financeiros destinados aos jovens, especialmente os rurais, mas hoje em dia eles já estão melhor posicionados nos planejamentos de algumas instituições. Todavia, ainda precisa haver mais visibilidade para este público, mais direcionamento de orçamentos, mais políticas públicas e mais confiabilidade para as novas gerações, para garantir as mudanças urgentes que o mundo precisa agora.
Os países convidados para falarem de suas experiências em marcos institucionais foram a Costa Rica e o Uruguai. O primeiro possui um Vice-ministério de Juventude, ligado ao Ministério da Cultura e Juventude local, e o segundo conta com o Instituto Nacional de Juventude (INJU), uma instância do Ministério de Desenvolvimento Social que já está próximo de completar 30 anos de existência. Ambos possuem estruturas voltadas especificamente para a juventude rural. Para explicar com mais detalhes o trabalho desenvolvido por essas duas entidades e os processos que possibilitaram avanços, participaram a viceministra de Juventude de Costa Rica, Margareth Solano Sánchez, e o diretor do INJU, Felipe Paullier.
Desde a Costa Rica, a vice-ministra Sánchez explanou sobre o Sistema Nacional de Juventudes do país, que a partir de 2018 começou a desenhar políticas públicas com escuta da população jovem do país para conhecer suas demandas, e a gerar aliança com outros ministérios e instituições públicas e privadas que poderiam contribuir para o tema, e comentou também outros aspectos importante de como essa experiência se desenrola até hoje.
Do Uruguai, Paullier também abordou sobre diversos pontos da experiência do país, e entre eles mencionou dois espaços permanentes e consolidados para diálogo com a juventude: Comissão Agrária da Juventude Rural, que funciona como um espaço de diálogo do Estado com os jovens rurais, organizados em 7 grandes organizações juvenis, entre elas a CNFR, afiliada de COPROFAM. Nesse espaço esses jovens podem dialogar, com o apoio do INJU, com todas as instituições que podem gerar políticas para o desenvolvimento das zonas rurais, como o Ministério de Agricultura, Pesca e Pesca e o Instituto Nacional de Colonização.
Também ouviu-se o ponto de vista dos jovens a partir de suas articulações de base. Avelino Juárez, da Rede de Juventudes Rurais de Costa Rica, e Gérman Búrguez, da Comissão de Juventude Rural da REAF e da Mesa de Desenvolvimento de Cardona, departamento de Soriano, no Uruguai, comentaram sobre as demandas observadas nas comunidades e o processo de diálogo que essas organizações tem com as instituições mencionadas.
Para direcionar o debate aos eixos centrais propostos pelo Festival, Pedro Boareto fez algumas perguntas sobre o contexto em que os marcos foram criados, como foram construídas as ferramentas de trabalho e o processo de escuta das demandas da base, como foras consideradas a diversidade do público, e outras questões importantes para que os marcos sejam efetivos em seus objetivos e metas.
Já caminhando para o final do evento, foram convidados mais dois referentes para contribuírem ao intercâmbio com análises sobre como visibilizar concretamente os aportes da juventude e posicionar os jovens como protagonista das agendas regional e mundial. Foram eles Agustina Andisco, ponto focal de juventude do Ministério da Agricultura, Pecuaria e Pesca da Argentina, e Alexander Herrera, do Conselho Agropecuário Centroamericano (CAC), que opinaram a partir das experiências de articulação local e regional desenvolvidas em seus espaços de trabalho.
Tudo o que foi apresentado e discutido pode ser assistido na íntegra no vídeo disponibilizado abaixo. O próximo evento do Festival Latinoamericano de Juventudes Rurales será no dia 30 de agosto e terá como tema o Fomento ao Emprego Juvenil e Juventudes Empreendedoras.


