A Conferência Global sobre Agricultura Familiar ofereceu elementos para continuar implementando a Década da Agricultura Familiar

Ao longo da última semana, entre os dias 23 e 26 de novembro, um evento muito especial de abrangência global e altíssimo nível, que promoveu um espaço de diálogo político amplo, inclusivo e democrático, elevando assim o debate sobre as demandas da Agricultura Familiar, Campesina e Indígena (AFCI) em todo seu conjunto e diversidade: a Conferência Global Agricultura Familiar no Centro dos Sistemas Alimentares.

Graças à excelente organização do Fórum Rural Mundial, e ao apoio da União Europeia e das agências internacionais multilaterais, foi possível reunir no mesmo espaço virtual organizações de agricultura familiar, acadêmicos e especialistas no tema, representantes de governos e outros atores importantes dos quatro continentes do globo, que protagonizaram painéis e discussões muito informativas e interessantes sobre temas essenciais para o desenvolvimento sustentável da AFCI.

Foi grande o esforço empregado para que essa Conferência acontecesse,  partindo de um grande processo que envolveu lançamentos locais, reuniões do comitê assessor, preparação de um documento base de subsídio para as discussões, entre outras etapas de articulação. Tudo para que a atividade fosse um espaço chave para afirmar, promover e aprofundar nos aspectos políticos, sociais e econômicos da AFCI. E que também possibilitasse recompor e retroalimentar experiências em politicas para o setor, e incorporar novos elementos e perspectivas para fortalecer o potencial transformador da AFCI nos sistemas alimentares. Parabenizo o trabalho do Comitê Assessor nesse sentido.

Como não poderia ser diferente, a COPROFAM foi uma das organizações presentes e participantes na Conferência, que através de seus diretores e diretoras, representou a América Latina e suas demandas específicas nesse debate global. Além de acompanharmos os painéis, também fomos protagonistas de alguns momentos, como na sessão especial sobre Juventude Rural, onde nossa coordenadora de Jovens foi uma das convidadas, e no painel sobre acesso a mercados, em que a afiliada boliviana CIOEC compartilhou sua experiência com mercados itinerantes para comercialização de produtos da agricultura familiar local durante a pandemia.

Ao tratar de temas como promoção de cadeias de valor inclusivas, melhorias na produção de alimentos, direitos de acesso à terra e políticas públicas diferenciadas em painéis muito qualificados, a Conferência apontou as diversas dimensões da sustentabilidade da agricultura familiar e suas maneiras de contribuir para a existência de sistemas alimentares mais justos e resilientes.

Outro aspecto relevante é que a programação dessa rica semana buscou dar protagonismo a grupos que são estratégicos para a continuidade e produtividade da AFCI, como a juventude, as mulheres rurais e os povos indígenas, que tiveram sessões especiais ao longo dos quatro dias para dialogarem sobre suas realidades locais, suas demandas e perspectivas.

Complementar a tudo isso, a Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas foi também um dos temas centrais, pela qual os diálogos da Conferência apontaram para a consolidação de propostas para dar continuidade à implementação da extensa agenda de ações nos próximos anos, tendo em vista os inúmeros desafios para o fortalecimento da AFCI em seus distintos setores.

Os diálogos da Conferência indicaram, de maneira resumida, que para fortalecer as ações da Década e alcançar os resultados esperados, é preciso ter em vista a ampliação a participação social na definição de políticas públicas, fomentar a criação de Comites Nacionais inclusivos e representativos para impulsionar a implementação dos Planos de Ação Nacionais, somar forças para ampliar as alianças multisetoriais e a cooperação, fortalecer as organizações representativas da AFCI e seguir lutando pela criação e implementação de políticas diferenciadas para a agricultura familiar.

Nossa expectativa é que tudo o que foi trabalhado ao longo dessa semana tenha desdobramentos dentro das especificidades de cada uma das regiões participantes da Conferência, reverberando no que já vem sendo articulado politicamente pelas organizações representativas locais e por outras instâncias empenhadas na meta de consolidar a AFCI como forma de produção de alimentos valorizada e verdadeiramente apoiada por governos e sociedades.

Visando sempre os maiores objetivos: a melhoria da vida de agricultores(as) familiares, campesinos(as) e indígenas em seus territórios e comunidades, e a potencialização das capacidades dessas pessoas de diminuirem a fome no mundo através de seu importante trabalho de produzir alimentos saudáveis e nutritivos.

Felizmente, para quem não pôde participar, ou quer rever as apresentações e debates, todos os dias da programação estão registrados no canal do Fórum Rural Mundial no Youtube, e também foram postados nas notícias da COPROFAM sobre a Conferência neste site.

Alberto Broch, presidente da COPROFAM