Sociedade Civil busca participação efetiva na tomada de decisões para a agenda 2030
A Sociedade Civil é parte muito importante dos debates que marcam o terceiro Foro los Países de América Latina y el Caribe sobre Desarrollo Sostenible, e quer ser reconhecida verdadeiramente como tal. Desde esta segunda feira (22), dezenas de organizações que representam os mais distintos setores da sociedade civil interessados em contribuir e fazer parte das decisões em prol das metas de desenvolvimento da Agenda 2030 estão reunidas, se articulando para incidir no debate de forma prática e expressiva.
Porém, essas organizações enxergam que não estão sendo consideradas nas decisões finais, e expressaram esse descontentamento, e outras preocupações, em uma declaração oficial, assinada por todas elas e entregue à CEPAL, Comisión Económica para América Latina y el Caribe que promove o Fórum.
Veja esta declaração na íntegra a seguir.
Dois monólogos não fazem um diálogo
As pessoas da Sociedade Civil que reuniram-se neste fórum representando organizações, associações, federações, coalizões, grupos, movimentos sociais, redes e sindicatos, reitera nosso compromisso com a implementação da Agenda 2030 na América Latina e no Caribe – Agenda construída entre todos os atores para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS – sob o lema de não deixar ninguém para trás.
As contribuições da Sociedade Civil para a Agenda são inegáveis e foram reconhecidas em diferentes áreas, mas esta é a terceira vez que chegamos a este Fórum e nos encontramos com um documento acordado apenas pelos governos, sem os critérios da Sociedade. Civil foram considerados. Onde está o diálogo? Dois monólogos não fazem um diálogo.
Infelizmente, na maioria dos países da nossa região, os critérios, contribuições e recomendações da Sociedade Civil da América Latina e do Caribe, especialmente os dos países de língua não espanhola do Caribe, não são levados em consideração; não há mecanismos apropriados para participação em processos nacionais para a implementação dos ODS. E aqui na CEPAL, onde existe um mecanismo para a participação do CS, não é possível dialogar com os governos porque eles continuam conversando entre os pares. E o que somos nós, a Sociedade Civil? Estranhos? Sem esses estranhos, não alcançarão o desenvolvimento sustentável. Nós das organizações da sociedade civil somos atores legítimos do desenvolvimento sustentável reconhecidos mundialmente.
Reiteramos a denúncia aos constantes ataques à democracia em nossa região. Estamos sofrendo reveses profundos da ofensiva conservadora e neoliberal que ameaça a paz e o reconhecimento dos direitos humanos. Vemos diariamente a perseguição e assassinato de líderes e atores sociais, especialmente mulheres defensoras dos direitos humanos, atacadas por defenderem a justiça social, ambiental, econômica e de gênero.
A democracia participativa e inclusiva é a base para a realização da Agenda 2030 em nossos países, em nossa região e deve estar neste Fórum. Aqui no CEPAL, temos a oportunidade de a América Latina e o Caribe mostrarem ao mundo que podemos fazer melhor as coisas. Democracia é conflito, diálogo e respeito pela diferença.
Exigimos vontade política de nossos governos para enfrentar esses enormes desafios e desafios que existem em nossa região sem deixar ninguém para trás. Não há tempo a perder, 2030 é agora!


