Luis Facco: “Líderes não podem continuar com métodos de 30 anos atrás”
Luis Facco, Assessor Técnico da COPROFAM, apresentou aos participantes da Oficina de Liderança da CCP, a história da organização que foi criada em dezembro de 1994, em Porto Alegre, Brasil, e apontou que atualmente reúne nove organizações nacionais, que por sua vez reunem cerca de 35 milhões de trabalhadores(as) rurais, agricultores (as) familiares, camponeses (as) e indígenas representados no Mercosul ampliado, na qual o PCC é a única organização peruana.
Facco disse a COPROFAM tem como princípios o fortalecimento político-institucional, que cada país tem sua própria política e que exigimos uma política para o desenvolvimento sustentável e que devemos buscar alianças estratégicas a nível local, regional e internacional para ajudar a incidência na formulação e harmonização de políticas públicas diferenciadas para a agricultura familiar camponesa e indígena (AFCI), onde seus principais pontos são:
- Acesso à terra, água e recursos naturais;
- Organização produtiva, acesso a mercados, emprego e renda;
- Empoderamento político e econômico de jovens e mulheres rurais;
- Adaptação e mitigação das alterações climáticas;
- Soberania e segurança alimentar e desenvolvimento rural sustentável;
- Acordos comerciais (salvaguarda e / ou promoção comercial do AF);
Para alcançar isto, a COPROFAM deve garantir espaços de luta e de acordo político com vontade coletiva, apresentando propostas sobre plataformas de diálogo para a política pública para a AFCI. Precisamos fortalecer a ação política dos afiliados nos níveis nacional e regional e promover a cooperação Sul-Sul.
A COPROFAM propõe uma visão holística do sujeito e sua interação com o território e o meio em que vive, considerando seu modo de vida, cultura e conhecimento tradicional; a valorização e cuidado com o meio ambiente, e gestão dos recursos naturais – terra e água e a produção e reprodução de práticas sustentáveis na produção de alimentos saudáveis. “Não pode continuar consumindo lixo nossa população”, alertou e disse que deveríamos organizar feiras de Agricultura Familiar pouco a pouco, de modo que as pessoas sintam a diferença entre produtos naturais e os produzidos pelo agronegócio.
São requeridas políticas diferenciadas para desenvolvimento produtivo atendendo às demandas de produção, seguro de risco de crédito, assistência técnica, pesquisa e geração de tecnologias apropriadas, treinamento, comunicação, transporte, comercialização e acesso ao mercado, gerando renda para as famílias. “Não podemos continuar sem vender diretamente ao consumidor, devemos comprar nossos insumos mais baratos e ter melhores preços para nossos produtos”, diz Facco.
Considera que as políticas públicas de proteção à saúde, seguridade social, esporte e educação rural devem ser garantidas, caso contrário, os jovens vão às cidades em busca de melhores oportunidades.
“Se não melhorarmos nosso conhecimento, estamos perdidos como líderes, não podemos continuar administrando como fizemos 30 anos atrás, precisamos de habilidades de liderança, comprometimento, confiança, mobilização nas bases e um espírito aberto para construir ideias”, acrescenta o consultor COPROFAM, quem disse também que são os jovens e as mulheres que trazem o dinamismo necessário à organização.
Ele recomendou que todos os estudos e as potencialidades da agricultura familiar devem ser difundidos, e que devemos melhorar a capacidade de aumentar a credibilidade política e institucional da organização em relação à sociedade civil e aos governos.


