Organizações da COPROFAM trabalham em conjunto na construção de uma agenda para a Década da Agricultura Familiar

Dirigentes de todas as organizações integrantes da COPROFAM estão reunidos no Brasil nesta semana, na cidade de Chapecó – SC, para participar da 31ª Reunião Especializada da Agricultura Familiar do Mercosul (REAF). Aproveitando a ocasião, antes do início da REAF, na manhã e tarde de hoje, dia 30, a Confederação promoveu o seminário Construindo Uma Agenda de Trabalho para o Decenio da Agricultura Familiar, que além da presença dos dirigentes, contou com a participação  de representantes da FAO, da ILC e da secretaria técnica da REAF.  O FIDA e o IICA também foi convidado a participar, mas não puderam comparecer.

A proposta desse Seminário é identificar os temas prioritários para as organizações e como eles se vinculam aos 7 pilares que marcam o Plan Global de Acción del Decenio. O momento também serviu para alinhar as demandas e desafios presentes nos países do Mercosul, informações muito importantes para a articulação conjunta na definição de estratégias e ações que essas organizações deverão trabalhar em seus países, no âmbito do Decenio.

O encontro começou, após o ato de boas vindas do presidente da COPROFAM Alberto Broch, com uma apresentação das propostas da Confederação para os governos, setores privados, agências de cooperação e comitê de monitoramento do Decenio, feita pelo assessor da entidade, Luiz Vicente Facco. A expectativa é, após consenso de toda a diretoria, apresenta-las para que façam parte do Plano de Ação Regional do Decenio para a América Latina e Caribe (ALC).

“Essas propostas condensam os aspectos gerais que a COPROFAM defenderá para a nossa região, mas sabemos que, de forma mais específica, elas devem ser adequadas para a realidade de cada país. O que trazemos aqui são diretrizes, estabelecidas com referência nos resultados da Conferência Rural Mundial de Bilbao e com os sete pilares do Plano Global ”, explicou Broch.

Contribuições da FAO e ILC

Para somar ao debate, a COPROFAM convidou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação

(FAO) para comentar como a agência planeja trabalhar com os governos, organizações e sociedade, e também para ouvir as propostas da Confederação e identificar como pode contribuir nesse sentido. Quem a representou foi o coordenador de projetos Pedro Boareto, que afirmou que a FAO pretende agir sob duas frentes: apoiar as organizações em seus planos regionais e apoiar os espaços de diálogos com a participação de múltiplos setores. “A troca de experiências e de conhecimento que acontece nesses espaços é muito importante, e isso nós não podemos perder de vista, pois é algo que ajuda a elevar o debate a nível global”, disse Boareto. Para a FAO, Alberto Broch pautou sobre a possibilidade de um espaço regional ou comitê para coordenar as ações latino-americanas para o Decenio, e pediu que Pedro leve essa pauta para apreciação da diretoria.

Outra agência de cooperação que aceitou o convite de participação no Seminário foi a International Land Coalition (ILC), que enviou o Jhon Alexander Fernández. Ele fez uma apresentação das propostas do grupo de Commitment-Based Initiatives da ILC formado por organizações latinas, entre elas a COPROFAM, para desenvolver a agricultura familiar e suas comunidades na América Latina. As propostas apresentadas se combinam com muitos dos objetivos e ações colocadas pela COPROFAM em sua apresentação inicial. “Vemos que, apesar deste planejamento que temos contemplar toda a região, deve haver diferenciação dos países e das comunidades, com propostas que sejam realmente pertinentes para eles, pois se não são, não há verdadeiro impacto”, observou Fernández.

As atividades da manhã fecharam com a apresentação dos temas chave que precisam ser levados em conta na formação de agendas de trabalho da COPROFAM com essas agências, e também com os governos, em uma apresentação de Carlos Mermot, coordenador do FIDA-MERCOSUR.

Posicionamento das organizações

O segundo momento do seminário contou com a presença de alunos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e algumas outras universidades brasileiras, que assistiram o restante do seminário.

A programação da tarde iniciou com a intervenção de todas as organizações de COPROFAM sobre os temas prioritários a serem trabalhados que observam em seus países, como seus governos estão lidando com o Decenio e como as organizações estão se planejando para trabalhar localmente. Neste momento, cada dirigente trouxe informações e juntos debateram como, a partir disso, podem se organizar para aperfeiçoar o trabalho da COPROFAM com o Decenio de forma a contemplar todos os países do MERCOSUL Ampliado.

No momento seguinte, e já encerrando o seminário, foi a vez do secretário técnico da REAF, Lautaro Viscay, de comentar como a REAF pode contribuir para o avanço das metas do Decenio na América Latina. Viscay afirmou que a Reunião Especializada pode ser um espaço de seguimento e monitoramento da Década na região. “Podemos formar uma plataforma de cooperação, junto a FAO e ao FIDA, que vai ajudar no dialogo dos planos nacionais e do plano regional com os fóruns, ajudar a monitorar o andamento dos trabalhos do Decenio na ALC e também levar ao Grupo Mercado Comum (GMC), órgano ejecutivo de toma de decisiones del Mercosur, os temas do Decenio, em forma de recomendações que de alguna manera contribuam para a evolução da agenda na região”, afirmou o secretário. Na sequência, Viscay debateu com os dirigentes sobre as atividades desta REAF, que terá sua abertura na noite de hoje, e atividades ao longo de toda a quinta e sexta feira.