É necessário capacitar as pessoas para fortalecer nossas estratégias de luta pelo desenvolvimento sustentável da Agricultura Familiar

A formação e a capacitação de lideranças são algumas das diretrizes da luta da COPROFAM pelo grande objetivo comum de termos uma Agricultura Familiar cada vez mais forte e resistente em nossa região. É preparando as pessoas envolvidas nessa luta que conseguiremos seguir fortalecendo nossas organizações internamente e melhorando as capacidades de diálogo delas com os governos e outras instituições. É também por meio desse trabalho que impactaremos positivamente e de forma mais direta na realidade dos agricultores e agricultoras que representamos em nossos sete países.

Pensando dessa maneira, a COPROFAM está preparando para este ano uma série de oficinas de formação e capacitação de dirigentes e técnicos em temas estratégicos para o nosso movimento e para impulsionar as capacidades produtivas de nossos associados. Estão previstas no Projeto Operativo Anual da Confederação (POA 2020) um total de 14 oficinas formativas, sendo sete delas voltadas para a capacitação em Liderança para Políticas Públicas, e as outras sete com foco na capacitação em Cooperativismo e Associativismo.

Na temática de Liderança para Políticas Públicas, as oficinas promovidas pela COPROFAM para dirigentes se projetam como um espaço de reflexão e compreensão aprofundada das demandas e desafios da luta política pelo desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, com conteúdos vinculados também aos pilares e objetivos da Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas.

Junto a esse escopo, estas oficinas tem como meta oferecer às lideranças ferramentas de capacitação em diálogo, negociação e proposição de políticas públicas aos governos, buscando fortalecer a atuação dessas lideranças na defesa dos interesses dos agricultores(as) familiares, campesinos(as) e indígenas nos espaços de diálogo de seus países, de toda a região e também a nível internacional.

A outra linha de capacitação oferecida pela COPROFAM aos dirigentes, e que também incluirá equipes técnicas das organizações, é nos temas do Cooperativismo e Associativismo, duas formas muito estratégicas de organização de pequenos produtores e suas produções. Por acreditarmos no grande potencial que essas formas de organização possuem para melhorar as capacidades das famílias e comunidades agricultoras de acessarem os mercados, comercializarem seus produtos e gerarem renda, investiremos neste ano em mais oficinas de capacitação nesses temas.

As metas destas oficinas são estimular e qualificar as organizações a trabalharem o potencial do associativismo e cooperativismo em suas bases. Nos cursos serão abordados conteúdos de aprofundamento nas principais questões relacionadas aos benefícios e desafios de ambas as dinâmicas de organização de produção, e também as especificidades de cada país sobre essas temáticas. A metodologia aplicada visa ainda que os participantes sejam preparados para multiplicar esse conhecimento na base e trabalhá-lo na prática nas comunidades em que atuam.

Todas esses cursos que estão sendo preparadas por nossa equipe técnica, com metodologia própria e adequada a realidade das organizações, fazem parte das atividades do Programa de Diálogo Político e Transformações Rurais (PRDT) que a COPROFAM mantém com recursos do FIDA.  É importante dizer também que a COPROFAM está buscando também incentivar mais a participação da juventude rural e das mulheres em todos os espaços políticos, e por isso, conforme resolução da entidade, ao menos 30% do público participante de cada curso deve ser de mulheres, e 20% de jovens.

O que desejamos com essas atividades é impactar positivamente no trabalho realizado pelas lideranças e técnicos e qualifica-los ainda mais para lutar pelas demandas dos agricultores familiares, campesinos e indígenas, de forma a impactar de verdade na realidade de nossos associadas e associados em todos os países do Mercosul ampliado. Atividades como essas são pontes para um movimento sindical com homens e mulheres mais preparados(as) para gerir as organizações e atuar com confiança na luta política, e também mais aptos a incentivar e articular o desenvolvimento dos agricultores e agricultoras rurais em seus territórios. Para que eles e elas saibam que estão bem representados(as), e acreditem conosco que é possível mudar a realidade do campo para um lugar melhor, mais justo e com mais oportunidades de vida e trabalho com dignidade.

Alberto Broch – Presidente da COPROFAM