FAA busca reverter problemas e fortalecer as demandas da agricultura familiar junto ao novo governo da Argentina

O ano de 2020 começou intenso para a Federação Agrária Argentina, em meio ao início de um novo governo e demandas urgentes a serem discutidas com os novos gestores políticos do país. Entre os temas mais em alta nas prioridades dos agricultores e agricultoras familiares argentino, e que está sendo conduzido pela FAA para negociação com o governo, é a questão da atualização do direito a exportação e a nova dinâmica de retenções das produções agropecuárias que o governo anunciou ainda em dezembro, sem qualquer diálogo prévio com as organizações da categoria.

Para a FAA é muito importante que seja feito uma segmentação, de acordo com o volume de produção dos mesmos, para a aplicação do aumento das retenções proposto pelo governo, que atualmente não faz essa diferenciação e prejudica muito os pequenos produtores. A organização também defende que haja um esquema de progressão tributária. Para debater a questão internamente entre lideranças e agricultores, a FAA participa de uma Mesa de Enlace, composta também por outras organizações de agricultura do país, que estão trabalhando em conjunto para dialogar com o governo sobre esse tema e buscar reverter as medidas prejudiciais.

“A situação no país é muito complexa, mas nossos representantes também estão passando por uma situação difícil, motivo pelo qual a entidade, em consenso com a Mesa de Enlace, solicita ao governo uma segmentação e, embora seja estipulada no nas leis de emergência econômica e social, sua regulamentação não está clara, o que está nas mãos do executivo ”, afirmou Carlos Achetoni, presidente da FAA. “Entregamos ao Ministro da Agricultura, Pecuária e Pesca da Nação, Luis Basterra, um projeto acordado pelo Escritório de Ligação com compensação pelo reembolso de retenções segmentadas em toneladas”, explicou o líder.

Além da temática das retenções, a FAA tem outras diversas demandas a tratar com o governo, visando conter o êxodo de produtores do campo para os centros urbanos e oferecer mais qualidade de vida e de trabalho para essas famílias agricultoras, para que a atividade agrícola continue a existir no país com mais dignidade para quem nela trabalha. Questões como as altas taxas tributárias e preços dos insumos e a grande necessidade de ações de mitigação para problemas naturais que causam prejuízo às produções, como secas ou inundações, também estão entre os temas que a FAA quer discutir com o governo.

No último dia 9, o presidente Achetoni e outros membros da directiva da Federação se reuniram Ministro de Producción, Ciencias y Tecnología, Osvaldo Costamagna, e abordaram essas e outras preocupações. Aproveitaram para citar também a luta em curso pela compensação da devolução das retenções de forma segmentada e pedir apoio a essa causa junto ao governo.

De forma geral, Carlos Achetoni avalia como boa a relação com o governo, do presidente Alberto Fernández, até o momento. “Tivemos boa receptividade até agora, com encontros com algumas autoridades do governo onde tivemos a oportunidade de falar de nossas questões. No momento a questão mais crítica é essa das retenções, que já está sendo dialogada. No geral, sentimos que teremos espaço para discutir nossas demandas, e ojalá chegaremos a bons resultados que reflitam nas políticas públicas e cheguem de fato aos pequenos produtores argentinos”, avaliou o presidente da FAA.