Declaração sobre Direitos dos Camponeses é um dos temas debatidos no 7º FMC
O 7º Fórum Mundial Campesino está caminhando para sua finalização. Hoje e amanhã as agendas são voltadas para oficinas autogestionadas feitas pelas organizações que participam do encontro, além de outras sessões temáticas especiais e atividades de encerramento.
Uma das oficinas de grande destaque na manhã desta segunda feira foi a que teve como tema a Declaração das Nações Unidas sobre Direitos dos Camponeses, organizada pela Via Campesina. Representantes da FAO e do FIDA, assim como diversas outras organizações estiveram presentes nesse ato, que abordou a declaração do ONU aprovada em 2018 que busca garantir a proteção dos direitos de todas as populações rurais nas suas mais diversas categorias, como trabalhadores agrícolas, povos indígenas pescadoras artesanais, entre outros.
O presidente da COPROFAM, Alberto Broch, que também é vice-presidente do Fórum Rural Mundial, foi convidado a discursar nesta oficina. Ele abordou principalmente a proximidade desta Declaração dos Direitos dos Campesinos com o Declaração da Década da Agricultura Familiar. “Nós acreditamos que não contradições entre essas duas declarações e que é possível trabalhar em conjunto, complementando as ideias das duas e usando-as como instrumentos para fortalecer a agricultura familiar, campesina e indígena e destaca-la na corrida para os países das Nações Unidas alcançarem as metas da Agenda 2030”, comenta Broch.
Na parte da tarde, o Fórum teve uma sessão especial que buscou debater a Conferência sobre Sistemas Alimentares, uma ação da ONU programada para 2021, que debaterá a nível mundial temas relacionados com as transformações necessárias nos sistemas alimentares para garantir mais segurança alimentar e nutrição para as pessoas do planeta. Para essa agenda, o Fórum recebeu a enviada especial da ONU, Agnes Kalibata, que foi escalada pela ONU para preparar a Conferência. Na ocasião também foi apresentado e discutido o relatório “Agricultores e Sistemas Alimentáres: qual o futuro dos produtores de pequena escala?”, um estudo da Universidade de Oxford.
Nesta atividade as Organizações puderam dialogar com Kalibata sobre algumas questões que acham fundamentais para que a Conferência inclua a agricultura familiar em seu escopo. “Deixamos uma mensagem de que queremos democracia, transparência e participação efetiva nesta agenda internacional, pois nossa agricultura familiar tem forte impacto na produção mundial de alimentos, chegando aos 80% nessa produção”, explicou o presidente Broch.
Os representantes do FIDA finalizaram este dia de FMC com um encerramento por parte da agência, onde foi feita uma leitura da Síntese de Deliberações resultante do Fórum. No entanto, a programação segue amanhã, com mais oficinas autogestionadas, entre elas a da COPROFAM sobre a Década da Agricultura Familiar, e a reunião de encerramento do FAFO pelo Comitê Diretor, com avaliação do Fórum e estabelecimento dos próximos passos. Amanhã também começara o Conselho de Governadores do FIDA, que terá a Síntese de Deliberações como um dos insumos de trabalho.


