Marcha das Margaridas completa 20 anos de história e de luta

A Marcha das Margaridas é hoje o maior referencial da luta política das mulheres rurais em todo o mundo. Na 6ª edição da tradicional caminhada das Margaridas pela principal avenida da capital do Brasil, Brasília, a Marcha conseguiu reunir mais de 100 mulheres de todos os estados do Brasil e também de outros países, como as dirigentes da COPROFAM que representaram suas gremiais, e dessa forma se tornou a maior mobilização de mulheres rurais do mundo.

Para relembrar essa longa e próspera história de construção coletiva de propostas de políticas públicas e de empoderamento feminino, bem como algumas dos temas que se fazem presentes na agenda de luta das Margaridas, será realizado um ato político online, que poderá ser acompanhado pelo Portal e pelas redes sociais da CONTAG no dia 12 de agosto às 14h de Brasil.

Cem mil mulheres do campo, floresta e águas vieram para Brasília para demonstrar sua força e capacidade de mobilização. Mulheres que vieram mostrar que não concordam com a retirada de direitos, que tem consciência política e sabem que é preciso defender a democracia, a justiça, a liberdade e lutar por trabalho digno, educação, saúde e desenvolvimento sustentável e solidário.

Elas acordaram antes das 05h da manhã e às 07h já estavam nas ruas, tomando o Eixo Monumental rumo à Esplanada dos Ministérios. Até às 12h, caminharam empunhando com orgulho suas bandeiras, com seus chapéus, suas faixas, suas camisetas e, principalmente, com suas ideias e suas paixões. É preciso muita paixão para fazer a maior manifestação de mulheres da América Latina acontecer com tanto sucesso, paz e, ao mesmo tempo, forte militância.
Essas mulheres vieram depois de um profundo processo de formação política, no qual o Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares debateu o projeto de desenvolvimento que queremos: com inclusão social, soberania, igualdade, oportunidades para todas e todos. E mais do que isso, as questões específicas enfrentadas pelas mulheres rurais, como os diversos tipos de violência, o preconceito, a falta de reconhecimento do trabalho produtivo e doméstico, entre outros.

A secretária de mulheres da CONTAG e coordenadora da Marcha das Margaridas, Mazé Morais, avalia que todo o esforço realizado para a construção da Marcha valeu a pena. “Foram anos de trabalho e mobilização, e a construção coletiva com a comissão nacional de mulheres e com as 16 entidades parceiras tornou o processo muito rico e muito forte. Esse ato é de todas as mulheres, de cada uma que deixou suas casas e viajou milhares de quilômetros para estar aqui mostrar sua indignação com tudo o que está sendo feito contra os direitos trabalhistas, previdenciários, direitos humanos. As mulheres têm o poder de mudar a realidade e estamos aqui para dizer qual é a realidade que queremos”, afirmou Mazé.

A cearense Rita Martins Ferreira concorda com a secretária Nacional de Mulheres da CONTAG. Pela primeira vez na Marcha das Margaridas, ela se sente honrada em vir para Brasília como parte de um movimento tão grande de reivindicação de direitos. “Acho importante estarmos nas ruas porque muitas vezes nos sentimos fracos, achando que não podemos mudar nada, mas quando estamos aqui podemos ver que estamos juntos e somos fortes”, afirma a trabalhadora.
A gaúcha Tânia Regina Schenkel também acredita que ir para as ruas é fundamental. “Estou aqui porque se eu não vier lutar pelos meus direitos, quem vai fazer isso por mim? Todas as pautas das margaridas são importantes, mas me preocupo muito com a proposta de desmonte da previdência social”, explica a agricultora.
A proposta de reforma da previdência que tramita no Congresso também preocupa a trabalhadora do Mato Grosso do Sul Sônia Regina de Souza. Para ela, “é muito injusto que queiram mudar as regras para aqueles que já ganham pouco, enquanto não mudam para aqueles que ganham muito. Também é preciso acabar com a corrupção, quem sabe assim sobre dinheiro para os trabalhadores”, argumenta.
Estudante do curso de Educação do Campo e vinda de um vilarejo às margens do Rio Tocantins, a paraense Beatriz Sá também sabem muito bem porque veio marchar. “Como jovem margarida, defendo a educação pública porque só estou na faculdade porque existe uma pauta de educação para o campo, floresta e águas. Estamos aqui também para lutar contra tudo o que esse governo representa: o agronegócio, a misoginia, a violência contra a mulher, a valorização das armas, que é um projeto de morte para a juventude. Viemos hoje como mulheres e como juventude para dizer sim a um projeto de vida, de emancipação da classe trabalhadora, de soberania popular no Brasil e vida para as mulheres”.
Rita Ferreira

Marilene Monteiro, de Minas Gerais, cree que la Marcha es una oportunidad para que la sociedad discuta la cultura machista que está detrás de los diversos tipos de violencia contra las mujeres. “La impunidad es muy peligrosa porque muchos hombres cometen violencia, pero no les pasa nada o casi nada. Muchos creen que tienen poder sobre las mujeres y estamos aquí para demostrar que ya no aceptaremos esto, que debemos ser respetados y tener los mismos derechos ”, dice la agricultora.

Vinda do Peru, a dirigente Maria Tafur afirma que veio participar da maior manifestação de mulheres da América Latina porque acredita que a luta das mulheres rurais é a mesma em todo o mundo. “Enfrentamos desafios semelhantes e somos companheiras na defesa dos direitos trabalhistas, de luta contra a violência, de busca por igualdade e liberdade”. Já dirigente Adwoa Sakyi, vinda do país africano de Gana, acrescenta que a luta das mulheres rurais é de grande importância para garantir um mundo com mais justiça e oportunidades.

Foi com paz, beleza e também com muita força, determinação e militância que as margaridas marcharam neste 14 de agosto de 2019, mostrando para o Brasil e para o mundo suas pautas e demandas. Para saber mais, leia a Plataforma Política da Marcha das Margaridas, documento que reúne as propostas amplamente debatidas por milhares de mulheres do campo, floresta e águas do Brasil.

A saudação das companheiras Margaridas das organizações afiliadas da COPROFAM:

Na sequencia um video que conta melhor a história dessa grande mobilização:

E o convite da Secretaria de Mulheres da CONTAG, Mazé Morais, para o evento do dia 12: