[ÁUDIO] Diálogo con as gremiais do agro: Uruguai e o mundo em 25 anos

Na segunda-feira, 7 de dezembro, a pedido da Organização das Nações Unidas e de sua agência especializada, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), no Uruguai, foi realizada a reunião virtual “Diálogo com os sindicatos da agricultura: Uruguai e o mundo em 25 anos “.

A atividade, realizada no marco da celebração do 75º aniversário da criação das Nações Unidas, contou com a participação do presidente das Cooperativas Agrarias Federadas (CAF), Pablo Perdomo; Marcello Rachetti, técnico da Comissão Nacional de Desenvolvimento Rural (CNFR), e Soledad Arrarte, da Federação Rural (FR). Os moderadores foram o representante ad interino da FAO no Uruguai, Rubén Flores, e José Peralta, Assessor de Comunicação do Coordenador Residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Uruguai.

Como explicou Rachetti, o slogan era falar sobre “como imaginamos o Uruguai e o mundo daqui a 25 anos, quando do centenário da criação da ONU”, em que cada sindicato participante apresentasse sua visão. Conforme avaliou o técnico do CNFR, este “foi um caso muito interessante” em que houve coincidências e, em alguns pontos, “ênfases diferentes”.

Sobre a abordagem do CNFR, Rachetti afirmou que “o Uruguai conseguiu se posicionar na região ao longo de sua história como um país com um quadro institucional muito sólido, que conseguiu ter uma qualidade de vida relativamente digna”, e que “é um capital que deve conservar e até melhorar, mas também ser fiel à sua história de ser um bom produtor de alimentos saudáveis ​​e de qualidade ”.

Nesse cenário, Rachetti argumentou que “imaginamos um Uruguai com gente do campo”, referindo-se à perda de unidades produtivas principalmente de tipo familiar e à migração da população rural para o meio urbano, tendência que se registra tanto no país como no mundo. “São processos que estão acontecendo e que exigem novas políticas específicas ou a manutenção de políticas diferenciadas, para facilitar e favorecer a permanência da produção familiar e também, melhorar suas condições de vida e de produção”.

Referindo-se à conjuntura mundial, o técnico do CNFR afirmou que “é muito complexo”, para além da pandemia Covid-19, marcada por uma crise económica e também por uma crise ambiental em consequência das alterações climáticas e sistemas de produção esgotados , “Fatores que temos que levar em consideração e que apontamos como relevantes para a ação, pensando em ter um cenário melhor daqui a 25 anos”.

Em relação às políticas públicas diferenciadas que devem ser destacadas, Rachetti citou entre as que são aplicadas, o cadastro dos produtores familiares agrícolas e dos produtores familiares pesqueiros, que permite saber quem e quantos são e onde estão aqueles a quem são devidos. estar sujeito às políticas acima mencionadas.

A partir disso, devem ser fortalecidas e geradas linhas de apoio que proporcionem à produção familiar acesso a assistência técnica, financiamento, terras, tecnologias de baixo custo e alto impacto que respeitem os recursos naturais envolvidos no processo produtivo. , entre outras, que devem ser assumidas como políticas de Estado, e cujo desenho, planejamento, execução, avaliação e reformulação são feitos sem interrupções, independentemente do governo no poder.

Em seu discurso, já no segmento em que foi abordada a visão dos sindicatos em relação ao cenário internacional, Rachetti relatou que foi por acaso que o Uruguai pode se posicionar como um país que produz alimentos de qualidade, mas tem dificuldade de entrar nos mercados, e que reverter essa situação exige mais trabalho dos órgãos de negociação multilateral e dos governos. Da mesma forma, os processos de negociação podem ser enriquecidos com a contribuição das organizações de produção familiar, que devem se posicionar como atores do diálogo e promotores da política de abertura comercial.

Nesse sentido, o técnico do CNFR destacou a participação do sindicato no COPROFAM, lembrando, como exemplo, a execução do projeto “Pecuária Familiar Resiliente”, que é financiado pelo EUOCLIMA + Setor de Produção de Alimentos Resiliente, que atua no consolidação de sistemas produtivos adaptados às mudanças climáticas e mitigadores das emissões de gases de efeito estufa, garantindo sua sustentabilidade econômica, ambiental e social. Outro dos resultados deste projeto é posicionar uma oferta de produtos da região, obtida a partir da aplicação de boas práticas e medidas amigas do ambiente.

A de organismos internacionais multilaterais, como a ONU ou a própria FAO, é decisiva para o cumprimento do compromisso dos países – tanto de governo, como dos povos e de todos os atores – de se alinharem para um mundo melhor, concluiu Rachetti. .

Entrevista com Marcello Rachetti – CNFR