A inovação tecnológica no campo foi um dos temas prioritários da XXXIII REAF MERCOSUL

Buscando por foco nas tecnologias digitas e no impacto que elas tem na agricultura e no desenvolvimento da agricultura familiar na região do Mercosul Ampliado, a 33 Reunião Especializada da Agricultura Familiar, sob a presidência pró-tempore do Uruguai, reservou um dia de sua programação para promover o Seminario Tecnologías de Información y Comunicación (TICs) Digitales Desarrollo Rural y Agricultura Familiar.

O seminário buscou apresentar experiências de políticas públicas e iniciativas de diversas organizações da AFCI e governos neste tema, para assim facilitar o diálogo sobre as oportunidades e desafios que as novas tecnologias apresentam no cenário rural no presente e no futuro. Também houve participações de especialistas que trouxerem análises qualificadas sobre o panorama até o momento e as perspectivas para o desenvolvimento tecnológico no âmbito rural

Ao abrir os trabalhos do dia, o secretário técnico da REAF, Lautaro Viscay, lembrou sobre a contemporaneidade deste tema, e como a pandemia acelerou muitos processos tecnológicos, a exemplo da própria REAF, que este ano aconteceu de forma virtual. “É um tema que já é parte das agendas campesinas, das agendas de governo, da sociedade civil, das redes, etc. Queremos conhecer mais sobre a inovação social, a inovação tecnológica e a inovação dos governos […] O objetivo deste seminário é trazer à REAF elementos para que possam funcionar uma comissão temática específica sobre tecnologias”, explicou Viscay.

“O tema das tecnologias no desafiou muito esse ano, e sem dúvida vai formar parte da agenda e tem que estar na agenda da REAF para assessorar o Mercosul em políticas e programas”, completou Mercedes Antía, coordenadora interna da REAF, representante do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAG) do Uruguai.

COPROFAM dando a conhecer experiências reais e ativas

A COPROFAM, que nesta REAF atuou como co-organizadora dos eventos, apresentou quatro experiências que envolvem tecnologias aplicadas ao desenvolvimento rural. Uma das experiências, comentada pela Comisión Nacional de Fomento Rural (CNFR), e vinculada especialmente ao tema da formação rural, foi o Curso Virtual de Associativismo e Cooperativismo que a COPROFAM está oferecendo a todas suas gremiais afiliadas, em parceria com o IICA. Outra apresentação foi liderada pelo Movimiento Unitario Campesino y Etnias de Chile (MUCECH), que abordou algumas das plataformas de educação e de comércio existentes no país, voltadas para o uso dos agricultores, e também algumas das dificuldades encontradas por eles nesse processo.

Por fim, a Confederação Nacional de Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), abordou experiências de e-commerce e uso de redes sociais de três cooperativas locais para comercialização, e também um sistema digital de rastreabilidade desenvolvido internamente pela CONTAG e uma de suas federações, a FEATES.

 

Contribuições da academia para o debate

A coordenação da 33 REAF buscou enriquecer o debate convidando o Dr. Ingeniero José Emilio Guerrero Ginel, profesor de la Escuela Técnica Superior de Ingeniería Agronómica y Forestal (ETSIAM) de la Universidad de Córdoba (España),  para apresentar o seminário “Retos y Desafíos de los Sistemas Agroalimentarios y la Agricultura Familiar frente a las tecnologias digitales”.

Em sua apresentação, e por meio de dados de pesquisas que fez ao longo dos anos, Guerrero proporcionou uma visão desde a União Européia dos processos de digitalização e transição tecnológica da agricultura, buscando aproximá-los com o contexto da América Latina. Ele mostrou alguns projetos existentes no continente europeu e aspectos de suas construções, bem como perspectivas futuras que já são consideradas, como aumento de cobertura de conectividade e evolução de instrumentos digitais. “Os processos de digitalização estão sendo e vão ser muito mais um impulso à saúde, à educação, ao emprego, à eficiência e ao bem estar”, avaliou o professor.

 

Trabalhos governamentais

No momento voltado para os governos participantes comentarem sobre as políticas públicas que desenvolveram para atender a temática do avanço digital no meio rural, quem começou apresentando foi o país anfitrião, Uruguai. Foi a diretora de promoção dos Sistemas de Informação Agropecuária, Amalia Alvarez, que introduziu aos participantes da REAF o processo de trabalho denominado internamente de Mesa AgTech, que se construiu a partir dos desafios apresentados pelo contexto rural do país, e tendo como meta impulsionar o setor agrícola com parcerias públicas e privadas.

 

Setor privado também se somou à discussão

A organização da REAF buscou trazer alguma empresa de tecnologia do setor privado que estivesse comprometida de alguma forma com o avanço tecnológico no campo, e com a preocupação de ajudar as comunidades rurais nesse sentido e formar alianças estratégica e sólidas com os governos e as gremiais nesse processo.

Por indicação da FAO, a empresa convidada foi a Telefonica, que iniciou seu projeto no Chile e conseguiu expandi-lo mundialmente, chegando até a FAO, em Roma, que apreciou seu projeto. Em sua apresentação, Marcos Contreras, assessor internacional de Agricultura Inteligente da Telefonica, buscou explicar sobre a  relação da agricultura inteligente com foco na agricultura familiar, os desafios vistos para democratizar as tecnologias, leva-las cada vez mais ao campo com qualidade e quais são os atores e outros aspectos importantes nessa construção.

O que os demais governos estão desenvolvendo?

Para o último bloco desta sessão, foram convidados representantes de quatro países do Mercosul Ampliado – Colombia, Chile, Brasil e Paraguai – para compartilharem e comentarem sobre algumas de suas iniciativas e o processo de construção delas dentro das instâncias governamentais, geralmente os Ministérios de Agricultura locais.

Tulio Montemiranda, representante da FAO na Colombia, apresentou uma estratégia desenvolvida pela agência em conjunto com o Ministério da Agricultura da Colombia para a captura e gestão de informação que facilite a conexão de produtores e compradores nos territórios do país.

Na sequência, o Brasil, representado por Silvia Onoyama, da direção de desenvolvimento comunitário do MAPA Brasil, apresentou um programa lançado recentemente de Assistência Técnica Digital – ATER 5.0, que pretende possibilitar aos agricultores o acesso a serviços mais modernos e eficientes de extensão rural e assistência técnica.

A experiência apresentada pelo Paraguai foi o Centro de Atenção ao Produtor (CAP), uma ferramenta remota e imediata para as consultas dos produtores rurais, composto por dois canais de comunicação direta com técnicos e especialistas agropecuários. Quem explicou os detalhes deste trabalho foi Higinio Lara, da direção de Extensão Agrária do Ministério de Agricultura e Pecuária do Paraguai.

E fechando essa rodada de intercâmbio de experiências, já caminhando para o final da jornada do dia, o chefe do departamento de Áreas Transversais do INDAP – Chile comentou sobre o projeto interinstitucional  Agro 4.0 do Ministério da Agricultura local, e sobre a plataforma IDE Minagri.

A atividade encerrou definitivamente com um momento para comentários e indagações de alguns participantes. A COPROFAM se posicionou nesse momento chamando atenção para a importância da construção de definições mais concretas de como usar as TICs a favor do desenvolvimento da agricultura familiar, campesina e indígena. “Esse espaço de diálogo da REAF deve dar prosseguimento e trabalhar de maneira a planificar nas próximas REAFs maneiras de aprofundar esse tema de maneira, para que de fato possamos identificar algumas recomendações para podermos levar ao âmbito do GMCde forma a alcançar nos países algumas medidas que sejam realmente aplicáveis enquanto instrumentos de políticas públicas diferenciadas para a AFCI”, argumentou o secretário técnico da COPROFAM, Luiz Vicente Facco.

O Seminário completo pode ser assistido no vídeo abaixo: