[AUDIOS] Dirigentes da COPROFAM comentam suas perspectivas e expectativas para o trabalho da Confederação e de suas gremiais em 2021

2021 já começou trazendo seus desafios. Em cada país da América Latina, diferentes contextos políticos, econômicos e sociais marcam este início de ano, muitos deles agravados pela pandemia, ainda muito latente na região e fazendo vítimas diariamente.

Tanto estas conjunturas atuais, quanto as pautas e lutas já históricas e permanentes em prol do impulsionamento do setor da AFCI nestes países, colocam uma série de metas desafiadoras para as organizações de agricultura familiar locais, e também para  o trabalho da COPROFAM, que une nove dessas organizações em uma rede regional que busca a valorização política e econômica da AFCI em toda a região do Mercosul Ampliado.

Convidamos a lideranças e dirigentes das gremiais da COPROFAM para comentarem sobre os desafios mais urgentes que eles visualizam para suas organizações, e também para a Confederação, nestes próximos meses. Confira abaixo os comentários completos acompanhando de um breve resumo por escrito.

Federação Agrária Argentina -FAA

O presidente da FAA, Carlos Achetoni, conta que uma das grandes preocupações da organização atualmente é aprovar com o governo argentino medidas que possam dar mais garantias e estímulos para que os pequenos e médios produtores sigam acreditando e trabalhando com agricultura. Nos últimos anos, o setor sofreu com a “desaparição” de agricultores familiares no país, pessoas que desistiram de suas atividades de produção de alimentos, e a FAA tem ganas de solucionar os problemas que possivelmente afastaram esses agricultores.

Medidas de financiamento, de seguro de riscos e de inovação na comercialização serão algumas das que serão defendidas pela FAA nos diálogos políticos de 2021, segundo o presidente.

Também membro da diretoria da COPROFAM, Achetoni opina sobre os desafios que se veem postos para a rede neste ano, que segundo ele, tem como base manter as organizações unidas e fortalecidas para avançar juntas nas políticas públicas para a valorização da AFCI em toda a região do Mercosul Ampliado. Tendo em vista principalmente o cumprimento das metas da Década da Agricultura Familiar das Nações Unidas.

Ele elogiou a linha de trabalho executada pela Confederação em 2020 e acredita ser estratégico manter as medidas que deram mais certo neste período.

 

Coordenadora de Integração de Organizações Econômicas Campesinas (CIOEC)

Quem comentou sobre as perspectivas da CIOEC na Bolívia para este ano foi a secretária de Actas da entidade, Gloria Choque Gorstiaga. Ela indica que a prioridade atual da organização é articular medidas de recuperação das perdas geradas pelas medidas da pandemia e por problemas de fenômenos naturais que prejudicaram muitos campesinos e campesinas bolivianos.

Ela leva a mesma preocupação para o panorama regional da AFCI, e acredita que a COPROFAM deve incluir em suas estratégias de articulação política o tema do Pós Covid-19.


Confederação Nacional de Trabalhadores Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG)

O vice-presidente e secretário de Relações Internacionais da CONTAG, Alberto Broch, que também é presidente da COPROFAM, fez algumas reflexões sobre a conjuntura brasileira e regional em seu comentário em áudio.

Para o trabalho da CONTAG no Brasil, a grande dificuldade em avançar na valorização da AFCI está no atual governo, que em dois anos de mandato já fez enormes estragos nas políticas públicas para o setor, que foram duramente conquistadas pela CONTAG e outras OAFs brasileiras. A questão da pandemia também preocupa muito, principalmente devido ao Brasil ser o segundo país com mais mortes pela doença até o momento.

Olhando para o contexto regional, Broch também indica que há desafios relacionados à pandemia e às campanhas de prevenção de contágio da doença, no intuito de preservar mais vidas. Para avançar nos propósitos da COPROFAM, o presidente acredita que o fortalecimento das capacidades das gremiais deve continuar sendo estimulado via atividades de formação e capacitação que a entidade já vem trabalhando nos últimos anos.

Em seu último editorial político publicado, Alberto Broch aprofunda mais na lista de estratégias da COPROFAM para 2021. Para acessá-lo, clique aqui:
https://coprofam.org/2021/01/22/desafios-internos-y-externos-que-nos-esperan-en-2021/

 

Movimento Unitário Campesino e Etnias do Chile (MUCECH)

O presidente do MUCECH, Orlando Contreras, analisa que este será um ano muito interessante para o Chile do ponto de vista político, diante da criação da nova constituição, que contará com participação popular e da qual ele afirma ser fundamental envolver representantes da agricultura familiar neste processo.

Ele também prevê um ano com atividades que aproximem mais as organizações sindicais chilenas e que promovam capacitação para agricultores e agricultoras, em especial jovens, mulheres e povos originários. A manutenção da representatividade da AFCI nos espaços políticos locais também é uma prioridade para o MUCECH, bem como a defesa de temas como direcionamento de recursos públicos e políticas sobre risco para as atividades da agricultura familiar.

Como membro da diretoria da COPROFAM, ele acredita ser importante seguir fortalecendo os laços em encontros online, e alinhar com as organizações integrantes sobre ações políticas e propostas que dialoguem com temas como acesso à água, comercialização, cooperativismo e pautas referentes à juventude rural e gênero. Orlando Contreras acredita que os desafios são enormes, mas que a COPROFAM é muito capaz de superá-los.

 

Comissão Nacional de Fomento Rural do Uruguai (CNFR)

O dirigente uruguaio Fernando López conta sobre a atual conjuntura do Uruguai e como ela desafia a CNFR em seu trabalho. Segundo ele, o país passa por uma grande crise de produção de alimentos causada pela forte seca neste verão, por problemas de retração econômica e, como os países vizinhos, com as dificuldades da pandemia. Isso impõe diversos desafios para a negociação de políticas públicas para a AFCI frente a esses cenários, mas que serão encarados com muita força pela CNFR.

Para a COPROFAM, López indica que é estratégico para a entidade posicionar-se cada vez mais fortemente para todos os distintos governos do Mercosul Ampliado como interlocutora válida da AFCI da região, aproveitando principalmente o espaço da REAF neste processo, entre outros espaços políticos estratégicos. Sob o mote do papel fundamental da AFCI na produção de alimentos para a soberania alimentar de forma geral, e principalmente em momentos de crise, como a que todo o mundo passa agora.


Confederação Campesina do Perú (CCP)

Para falar sobre os desafios da CCP, está o presidente da organização, Wilder Sanchez, e a secretária de Gênero da organização, Elga Angulo, que também é coordenadora de Mulheres da COPROFAM, que fez o recorte dos desafios sob o ponto de vista das mulheres agricultoras e campesinas latinas.

Angulo aponta a crise política pela qual passa o Peru, após a destituição do presidente no ano passado, junto à crise da pandemia como fatores que complicaram muito os trabalhos das mulheres rurais peruanas, e também as de outros países do Mercosul Ampliado. Para reverter isso, ela defende mais foco coletivo na articulação política local e regional das agricultoras e campesinas.

A dirigente menciona também a importância de se ter mais espaços de formação e capacitação de mulheres para a participação política, e de comunicar e valorizar mais as experiências exitosas coordenadas por mulheres em diferentes setores. Elga lembra também da campanha da Década da Familiar como estratégica para impulsionar estes temas, visto que há um pilar transversal no Plano Global dessa agenda que foca na importância das mulheres rurais.

Assim como a companheira de organização, o presidente da CCP também lembrou do impacto do cenário político conturbado, e mencionou que frente a isso, a CCP vê como desafio fortalecer a gremial como un espaço agrario y rural, y tener un movimiento social y político activo, de lucha y de representación fundamentalmente.  E posicionar a AFCI na agenda política do país como base para o desenvolvimento nacional. 2021 é um ano eleitoral no Peru e isso requer grande mobilização popular para gerar mudanças estruturais.

Para a COPROFAM, Sanchéz também reforça que a agenda da Década da Agricultura Familiar deve ser reforçada nas ações da organização e nos países em que ela tem gremiais afiliadas. Para completar, ele indica ser estratégico trabalhar por uma coesão mais estreita entre os grêmios base, assim como com redes de OAFs de outros continentes, para que a luta pela valorização da AFCI seja impulsionada universalmente.